
31 de maio de 2009.
Já tem uns 10 anos que vi esse filme pela primeira vez. Mas acho que, apesar do visual de alguns personagens, ele envelheceu muito pouco. Talvez quase nada. Porque ele ainda guarda um jeito bacana de contar uma história misteriosa, algo meio low-profile (apesar da aparente grandiloqüência do diretor), meio à moda antiga.
A cena inicial do filme, um plano seqüência de 8 minutos, com os personagens falando de planos seqüência de outros filmes, é sensacional. Fora que nada ali estava escrito, foi tudo improviso.
O fato de o diretor rechear o filme com participações de atores interpretando a si mesmos (o roteirista que tenta vender a continuação de “A primeira noite de um homem” é o mesmo que escreveu o primeiro), ao lado de atores interpretando personagens, me passa uma certa sensação de irrealidade – como atores que a gente conhece podem transitar ao lado de personagens e tratar esses últimos como pessoas reais? E um ator interpretar a si mesmo em um filme de ficção não é interpretar um personagem, de certa forma?
Além de todas essas referências, o enredo se desenrola de forma muito interessante, primeiro com o personagem do Tim Robbins amedrontado pelas ameaças, seguido pela falta de controle, pelo cinismo e ironia com as ameaças e, por fim, fazendo parte do jogo do roteirista revoltado.
A cena final, do telefonema, é uma maravilha, mostrando, em 25 palavras ou menos, o enredo do filme que acabamos de ver.
Uma obra-prima dos anos 90.


