Arquivo da categoria ‘Molanda’

43º – O Jogador (Marcio Holanda)

Junho 5, 2009

O Jogador

31 de maio de 2009.

Já tem uns 10 anos que vi esse filme pela primeira vez. Mas acho que, apesar do visual de alguns personagens, ele envelheceu muito pouco. Talvez quase nada. Porque ele ainda guarda um jeito bacana de contar uma história misteriosa, algo meio low-profile (apesar da aparente grandiloqüência do diretor), meio à moda antiga.

A cena inicial do filme, um plano seqüência de 8 minutos, com os personagens falando de planos seqüência de outros filmes, é sensacional. Fora que nada ali estava escrito, foi tudo improviso.

O fato de o diretor rechear o filme com participações de atores interpretando a si mesmos (o roteirista que tenta vender a continuação de “A primeira noite de um homem” é o mesmo que escreveu o primeiro), ao lado de atores interpretando personagens, me passa uma certa sensação de irrealidade – como atores que a gente conhece podem transitar ao lado de personagens e tratar esses últimos como pessoas reais? E um ator interpretar a si mesmo em um filme de ficção não é interpretar um personagem, de certa forma?

Além de todas essas referências, o enredo se desenrola de forma muito interessante, primeiro com o personagem do Tim Robbins amedrontado pelas ameaças, seguido pela falta de controle, pelo cinismo e ironia com as ameaças e, por fim, fazendo parte do jogo do roteirista revoltado.

A cena final, do telefonema, é uma maravilha, mostrando, em 25 palavras ou menos, o enredo do filme que acabamos de ver.

Uma obra-prima dos anos 90.

29º – As 7 Faces do Dr. Lao (Marcio Holanda)

Novembro 5, 2008

laoOs anos 80 tinham cheiros e cores específicos. Quando revejo um filme daquela época (não necessariamente feito nela) tudo isso vêm à mente. São lembranças de uma infância onde tudo era menos (menos canais, menos
informação – ou pelo menos, chegava mais lentamente) – dava tempo de saborear melhor cada coisa, cada reprise.

As 7 Faces do Dr. Lao é um verdadeiro clássico da Sessão da Tarde, cheio de maquiagem, efeitos visuais, e com aquele jeito de filme dos anos 60 – outras eras.

Tinha muita saudade desse filme, procurei durante um bom tempo mas só consegui uma cópia – nem tão decente, há poucas semanas. Fiquei feliz em constatar que ainda é um filme divertido, mesmo sendo de 1964 e não tendo assistido novamente depois dos anos 80.

A cada cena vinham também à memória muitos outros da filmes repetidos à exaustão na minha infância (devo passar pelo menos um dos que lembrei).

Brilhante interpretação de Tony Randall, nos papéis das 7 faces e de um cara na platéia, hehe.

“O mundo inteiro é um circo
se você souber olhar para ele.
Como o sol se põe quando você está cansado
e nasce quando você levanta.
Isso é mágica de verdade.
O modo como uma folha cresce.
O canto dos pássaros.
Como o deserto fica à noite, quando a luz da lua o envolve.
Oh, meu garoto…
isto é circo bastante para qualquer um.
Sempre que você vê um arco-íris
e seu coração se maravilha com isso.
Sempre que você pega um punhado de areia,
e não vê areia, mas sim um mistério,
uma maravilha em sua mão.
Toda vez que você pára e pensa:
Estou vivo, e estar vivo é fantástico!
Sempre que algo assim acontece,
você é parte do Circo do Dr. Lao.”

23º – Saneamento Básico, o Filme (Marcio Holanda)

Outubro 20, 2008

Saneamento Básico, o Filme, na minha opinião, escapa ileso de duas categorias clássicas do cinema brasileiro: aqueles com sexo, violência e palavrão (os dois primeiros nem tanto, mas esse último um tanto gratuito) e aqueles que são quase uma novela da Globo.
Apesar de contar com um elenco 100% global, Saneamento Básico consegue correr por fora, fazendo um bom filme, sem grandes pretensões, é verdade, mas que convence com ótimas história e interpretações.

Eu me identifico com alguns pontos:

- a relação imediata que os personagens fazem com o dinheiro necessário para a produção do filme – com o valor da fita, dá pra comprar tantas cadeiras, com o do vestido, tantos tijolos. Uso isso sempre (com o valor de um celular novo dá pra comprar uma guitarra e com ela posso ganhar dinheiro);

- a ingenuidade interiorana de não saber os pormenores de uma produção cinematográfica (o que faz sentido, já que nem o saneamento básico eles têm) – ficção é filme de monstro e por aí vai. Se em Quixadá, que tem quase 80 mil habitantes, na época em que ainda tinha cinema só passava filme pornô, de kung-fu, dos Trapalhões e da Xuxa, imagina em uma vila pequena como aquela. O legal é que mesmo assim eles vão em frente, se ajudando e descobrindo coisas, com a Marina viajando no texto e o Joaquim tentando ficar com o pé no chão, questionando como poderiam filmar aquele texto. No fim das contas, eles eram uma boa equipe.

O diretor Jorge Furtado já havia realizado duas ótimas comédias: Meu tio matou um cara e O homem que copiava, além de vários curtas, entre eles o clássico Ilha das Flores (se alguém quiser assistir, é só clicar aqui. Quem quiser baixar, aqui).

Ju, valeu pela lembrança, hehe.
:)

13º – Morte no Funeral (Molanda)

Junho 19, 2008

Morte no Funeral

Morte no Funeral é uma ótima comédia do Frank Oz, que já havia dirigido, entre outros, Será Que ele é e Mulheres Perfeitas.

Ele é mais conhecido por ser a voz e a manipulação do Yoda em todos os Star Wars, além de ser um dos criadores e dublar a maioria dos Muppets: Miss Piggy, Fozzie Bear e o Animal. Ou seja: um gênio.

Situações meio bizarras, pautadas pelo ‘fino’ humor inglês. Uma jóia, que oferece um respiro de alívio no meio de tantos filmes de humor basicão de Roliúdi!