Saneamento Básico, o Filme, na minha opinião, escapa ileso de duas categorias clássicas do cinema brasileiro: aqueles com sexo, violência e palavrão (os dois primeiros nem tanto, mas esse último um tanto gratuito) e aqueles que são quase uma novela da Globo.
Apesar de contar com um elenco 100% global, Saneamento Básico consegue correr por fora, fazendo um bom filme, sem grandes pretensões, é verdade, mas que convence com ótimas história e interpretações.
Eu me identifico com alguns pontos:
- a relação imediata que os personagens fazem com o dinheiro necessário para a produção do filme – com o valor da fita, dá pra comprar tantas cadeiras, com o do vestido, tantos tijolos. Uso isso sempre (com o valor de um celular novo dá pra comprar uma guitarra e com ela posso ganhar dinheiro);
- a ingenuidade interiorana de não saber os pormenores de uma produção cinematográfica (o que faz sentido, já que nem o saneamento básico eles têm) – ficção é filme de monstro e por aí vai. Se em Quixadá, que tem quase 80 mil habitantes, na época em que ainda tinha cinema só passava filme pornô, de kung-fu, dos Trapalhões e da Xuxa, imagina em uma vila pequena como aquela. O legal é que mesmo assim eles vão em frente, se ajudando e descobrindo coisas, com a Marina viajando no texto e o Joaquim tentando ficar com o pé no chão, questionando como poderiam filmar aquele texto. No fim das contas, eles eram uma boa equipe.
O diretor Jorge Furtado já havia realizado duas ótimas comédias: Meu tio matou um cara e O homem que copiava, além de vários curtas, entre eles o clássico Ilha das Flores (se alguém quiser assistir, é só clicar aqui. Quem quiser baixar, aqui).
Ju, valeu pela lembrança, hehe.