5º – A Dupla Vida de Veronique (Luciana)

By Carlos

12 de Abril

O filme que eu havia escolhido originalmente era “Anna Oz”, que conta a história de uma mulher que quando dorme tem uma vida em Veneza e quando acordada vive em Paris.
Como não consegui o filme em lugar nenhum – passei de VHS para DVD e não ficou bom – resolvi optar por este, também sobre alguém que vive duplamente.
Acho que tem a ver com meu fascínio geminiano por vidas duplas: não no sentido de viver uma farsa ou mentira, mas na sensação de que uma vida só é muito pouco para tantos interesses, ou como disse Fernando Pessoa: “Ah, não ser eu toda a gente e toda a parte!
Inclusive a discussão depois do filme era: são irmãs gêmeas? Pelo que entendi e por tudo que já li sobre o filme tenho certeza que não, são duas mulheres iguais, dois clones, tanto fisicamente quanto em relação à personalidade, com a diferença apenas que uma aprende com os erros da outra, o que leva à outra discussão: é melhor viver cometendo erros e tendo este contato mais íntimo com as coisas da vida ou é melhor escapar pela tangente, fazendo sempre o certo e seguro, escapando dos perigos, de certas emoções e até mesmo da morte? Pra mim este absurdo de haver duas pessoas iguais serve apenas como metáfora para as situações que nós mesmos vivemos a cada dia, escolhendo sempre entre estes dois caminhos: queremos viver muito e em paz, mas ao mesmo tempo queremos que a vida valha a pena e faça sentido.
Minha cena preferida: o filme tem cenas bem marcantes, contrastando com a ação lenta na maior parte. As mais importantes são os dois “encontros”: quando Weronika vê Veronique no ônibus e depois quando Veronique vê a foto de Weronika olhando pra ela. A mais forte é a morte de Weronika no palco. Mas pessoalmente adoro a cena do teatro infantil, em que ela observa o titeriteiro atuando através do reflexo.

Uma resposta para “5º – A Dupla Vida de Veronique (Luciana)”

  1. Carlos Disse:

    Acho que eh um daqueles filmes que independente da interpretacao escolhida eh um espetaculo aos sentidos. Faz pensar sem ser chato. Na minha interpretacao (acho que semelhante a da Luciana), o filme eh uma alegoria sobre vida e destino, sobre o que poderia ser e nao eh. Tambem sobre a conexao existente entre pessoas completamente estranhas(ou nao), nos fazendo lembrar que fazemos parte de um todo, a humanidade. Minha cena preferida eh justamente a mais forte e dramatica, a da morte no palco. Lirismo e(na) morte: perfeito.

Deixe uma resposta